O 13º é o dinheiro extra mais previsível do ano: você sabe quanto vem e quando vem. Mesmo assim, é comum ele sumir entre presentes, viagens e a fatura de dezembro sem que dê para dizer para onde foi. Com uma conta rápida e um plano decidido antes de o dinheiro cair, ele pode resolver problemas de verdade.
Veja como o 13º é calculado em 2026, o que muda com a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e como dividir o valor de um jeito que faça diferença no começo do ano.
Quando as parcelas caem
O 13º é pago em duas parcelas. A primeira sai entre 1º de fevereiro e 30 de novembro (algumas empresas pagam junto com as férias, quando a pessoa pede) e corresponde a metade do valor bruto, sem nenhum desconto. A segunda sai até 20 de dezembro e é nela que vêm os descontos de INSS e Imposto de Renda sobre o 13º inteiro.
Por isso a segunda parcela costuma ser menor que a primeira. Não é erro da empresa: os descontos do valor total ficam todos para o fim.
Como o valor é calculado
Cada mês trabalhado no ano vale 1/12 do salário. Conta o mês em que você trabalhou 15 dias ou mais. Quem trabalhou o ano inteiro recebe um salário; quem entrou em junho, por exemplo, recebe 7/12. Horas extras, comissões e adicionais entram pela média do ano.
Os descontos seguem duas regras:
- INSS: usa a tabela de 2026, de 7,5% a 14% por faixa de valor, até o teto. É calculado sobre o 13º separado do salário do mês.
- Imposto de Renda: também é calculado à parte. Desde janeiro de 2026, a redução da Lei 15.270/2025 vale para o 13º: até R$ 5.000 o imposto fica zerado, e de R$ 5.000,01 a R$ 7.350 ele diminui aos poucos.
Dois exemplos
Com salário de R$ 3.000 e o ano inteiro trabalhado, a primeira parcela é de R$ 1.500. Na segunda saem R$ 248,60 de INSS, e o Imposto de Renda é zero. Ela fica em R$ 1.251,40, e o 13º líquido soma R$ 2.751,40.
Com salário de R$ 6.000, a primeira parcela é de R$ 3.000. O INSS fica em R$ 641,51, e o Imposto de Renda, que seria de R$ 564,85 pela tabela, cai para R$ 385,10 com a redução de 2026. A segunda parcela fica em R$ 1.973,39.
Para fazer a conta com o seu salário, os meses trabalhados e os dependentes, use a calculadora de 13º salário. Ela mostra as duas parcelas e quanto a isenção tirou do imposto.
Um plano antes de o dinheiro cair
O 13º some quando ele chega sem destino. Decidir a divisão antes, com os valores na mão, muda o resultado. Uma ordem que funciona para a maioria das pessoas:
- Dívida cara primeiro. Rotativo do cartão e cheque especial cobram juros que nenhuma aplicação paga. Quitar ou reduzir essas dívidas é o melhor "rendimento" possível para o 13º.
- Contas de janeiro e fevereiro. IPVA, IPTU, matrícula e material escolar chegam todos juntos. Separar esse valor agora evita parcelar no cartão logo no começo do ano.
- Reserva de emergência. Se a reserva ainda não está completa, uma parte do 13º acelera bastante o caminho. A calculadora de reserva mostra quanto falta.
- Festas e presentes, com teto. Defina um valor total antes de sair às compras e evite parcelar presentes que vão aparecer nas faturas até março.
Quem tem direito
Recebem o 13º quem tem carteira assinada, empregados domésticos, trabalhadores temporários e avulsos. Aposentados e pensionistas do INSS recebem o abono anual em datas definidas pelo INSS a cada ano. Quem sai da empresa recebe o proporcional na rescisão, exceto em demissão por justa causa.
Acompanhe o 13º no Carteira Azul
Lance as duas parcelas como receitas previstas nas datas em que elas caem e marque os gastos de fim de ano com uma etiqueta, como #natal. Assim você vê o total que já foi e quanto do 13º continua disponível, sem precisar abrir uma planilha.